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Pagamos caro por um sistema elétrico que falhou

  • hugomd4
  • 26 de mar.
  • 2 min de leitura

Talvez tenha chegado o momento de tirar uma conclusão incómoda do apagão de 28 de abril de 2025

O relatório final europeu classificou este incidente como nível 3, o mais grave da escala, e como o mais sério no sistema elétrico europeu em mais de 20 anos. Nos 30 minutos anteriores ao colapso registaram-se dois eventos oscilatórios relevantes. E o ponto central é este: o fenómeno determinante foi a ineficácia do controlo de tensão no sistema elétrico espanhol. O próprio relatório refere desalinhamento no controlo de tensão prestado por geradores síncronos, incluindo centrais térmicas convencionais e hídricas, que atingiram os valores de potência reativa exigidos em menos de 75% do tempo. Refere ainda que, em algumas unidades, as proteções contra sobretensão estavam parametrizadas abaixo dos limites aplicáveis.

Os geradores síncronos são as centrais convencionais de grande dimensão. São necessários para manter o sistema em equilíbrio sobretudo quando há muitos produtores renováveis a entrarem e a saírem constantemente.

Agora compare-se isto com o que o consumidor paga. No 1.º semestre de 2025, o preço médio da eletricidade para clientes domésticos em Portugal foi de 0,2536 €/kWh e 0,2738 €/kWh em Espanha. Até aqui tudo bem, os valores parecem razoáveis. Todavia, em termos de paridade do poder de compra, temos eletricidade à porta de casa das pessoas a um custo superior (em paridade do poder de compra) ao de França e da Irlanda, para não falar em países tais como a Hungria. E 33% do preço final em Portugal corresponde a taxas e impostos.

Ao mesmo tempo, 15,7% da população em Portugal não tem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida. Entre a população em risco de pobreza, essa percentagem sobe para 30,9%.

Isto tem de ser dito com clareza: não é aceitável pedir aos cidadãos e às empresas que suportem uma fatura de eletricidade elevada e, ao mesmo tempo, tolerar falhas técnicas desta dimensão. A eletricidade é, em Portugal, um bem comparável aos bens de luxo, que não está ao alcance de todos.


Quais são as soluções?

O Estado deve reduzir a carga fiscal sobre a eletricidade.

Os operadores de geração, em Espanha, precisam de cumprir as suas obrigações técnicas em matéria de controlo de tensão e proteção.

Portugal deve reforçar a resiliência do seu sistema, para não continuar excessivamente exposto a falhas com origem fora da sua fronteira.

Portugal devia voltar a abrir o dossiê da ligação por cabo submarino a Marrocos. Lembram-se?

Temos fontes renováveis competitivas. Mas a transição energética só vai funcionar no interesse dos cidadãos quando a eletricidade for, ao mesmo tempo:

  • Mais limpa;

  • Entregue com mais segurança no abastecimento; e

  • Produzida a um preço mais competitivo.



Fontes

  • Cumprimento do controlo de tensão para geradores síncronos: ERSExplica relatório final sobre apagão ibérico de 28 de abril de 2025. Link

  • Preços médios da eletricidade para consumidores Portugal e Espanha: Comparação de preços de eletricidade Eurostat. Link

  • População em Portugal em pobreza energética: INE – Destaque Oficial. Link

  • Preço da eletricidade em 100 kWh na Europa em paridade de Poder de Compra: Eurostat. Link

 
 
 

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