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A crise energética é resultado da guerra no Irão ou da falta de planeamento?

  • hugomd4
  • 23 de mar.
  • 2 min de leitura

A transição energética exige planeamento e execução. Continuar a depender excessivamente dos combustíveis fósseis é um risco para a segurança energética, para a competitividade e para a resiliência do sistema.


Nem todos os setores podem ser descarbonizados ao mesmo ritmo nem com as mesmas soluções. Nos transportes, em particular no transporte pesado, persistem segmentos cuja eletrificação é mais difícil e mais lenta. Este problema exige uma abordagem mais ampla e passa pela eletrificação e pela utilização de biocombustíveis.

No seguimento do conflito no Irão, os biocombustíveis vão ter um papel cada vez mais relevante na transição energética. Os biocombustíveis líquidos representam já uma parte material da oferta global de combustíveis líquidos, mas o seu desenvolvimento continua condicionado por constrangimentos económicos, disponibilidade de matérias-primas, enquadramento regulatório e previsibilidade do investimento. Sem estabilidade regulatória e sem sinais de mercado consistentes, será difícil mobilizar capital para acelerar este segmento.

Na União Europeia, a implementação da diretiva RED III será determinante. A definição e execução efetiva de metas de incorporação são essenciais para criar escala, previsibilidade e condições de investimento ao longo da cadeia de valor.

Também no transporte comercial ligeiro há margem para avançar mais rapidamente. Em muitas aplicações, a eletrificação de frotas já é tecnicamente viável e economicamente racional, sobretudo em operações urbanas e de distribuição.

No transporte marítimo e noutros segmentos de difícil abatimento, será igualmente necessário reforçar a incorporação de combustíveis com menor intensidade carbónica. Isso dependerá, em larga medida, de coordenação internacional e de uma visão mais pragmática da transição energética.

Outro ponto muitas vezes subestimado é o calor. A produção de calor continua a representar a principal forma de uso final de energia a nível global, com mais de metade do consumo final energético associado à produção de calor. Apesar disso, a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis nesta área continua demasiado lenta. Em 2024, as renováveis representavam apenas cerca de 14% da procura global de calor, o que mostra bem a dimensão do atraso.

A conclusão é a seguinte: a transição energética não pode assentar numa lógica de solução única. Eletrificação sem dúvida. Todavia, os biocombustíveis, a promoção das fontes sustentáveis na produção de calor , a eficiência e a diversificação tecnológica têm um papel muito importante. A segurança do abastecimento e a descarbonização exigem mais do que ambição. Exigem execução, estabilidade regulatória e visão de longo prazo.

 
 
 

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